31.5.10
23.5.10
11.5.10

"Gosto muito desta mulher que olha para mim com serenidade, com uma câmara fotográfica na mão. Sou eu. Tenho cinquenta e dois anos. É na curvatura dos dedos que primeiro se nota a passagem do tempo. Quando estudava fotografia, o professor puxava-me os ossos da mão até os sentir estalar, dizia-me que os meus dedos eram demasiado rígidos para acompanhar a fluidez do mundo «Descontrai-te. Entrega-te. Aceita.»
Com a idade, os dedos vão ficando descarnados e sinuosos. Mais próximos do tempo. As manchas escorrem-me sobre a pele das mãos, alastram. Quando as pessoas me fazem mal ponho-me a olhar para essas ilhas castanhas que me conduzem para a terra dos meus mortos. Já ninguém me consegue fazer mal, mais uns aninhos e talvez nem possam fazer-me mossa.
(...)
Gosto desta mulher de olhos cinzentos cercados por olheiras roxas, cavadas. Gosto das sobrancelhas ralas desta mulher, das rugas que lhe reduzem a cor dos olhos a um traço de luz. Gosto das suas faces cavadas, do queixo demasiado agudo, os ossos quase à transparência da pele. Gosto desta boca lisa, sem cor nem volume. Gosto das dobras deste pescoço como de um mapa esborcinado depois de muitas viagens. Ninguém pode já fazer-lhe mal, ninguém pode já fazer-lhe mossa sobre o seu corpo excessivamente leve."
28.4.10
The dog days are over
The dog days are done
The horses are coming so you better run
Run fast for your mother run fast for your father
Run for your children and your sisters and brothers
Leave all your love and your loving behind you
Can’t carry it with you if you want to survive
The dog days are over
the dog days are done
Can’t you hear the horses
Cuz here they come
(foi o dia todo a cantar*)
The dog days are done
The horses are coming so you better run
Run fast for your mother run fast for your father
Run for your children and your sisters and brothers
Leave all your love and your loving behind you
Can’t carry it with you if you want to survive
The dog days are over
the dog days are done
Can’t you hear the horses
Cuz here they come
(foi o dia todo a cantar*)
15.4.10
"Eduardo era o género de pessoa que não precisa de fazer caretas nem de dizer graças. Entregava à imagem um olhar estranhamente autêntico. Tratava-se de um rapaz sério. A seriedade notava-se-lhe na voz, funda e magoada como uma partitura antiga. As palavras dele demoravam a fazer-se entender, porque era quase impossível separá-las da voz que as animava. E também porque ele preferia as palavras difíceis. Ou talvez apenas não tivesse ainda encontrado as outras, as palavras da revelação.
Creio que se apaixonaram um pelo o outro nessa mesma noite.
...
Incomodava-a o alvoroço que lhe tomava o coração, queria fazer de conta que nada se estava a passar.Eduardo lançava-se no discurso e perdia-se a meio de uma frase. Não tinha medo de se perder; sabia que é esse o preço da inquietação.
...
Camila deixara de procurar a salvação. Estava apaixonada, a salvo da desilusão do mundo. ... "
-excerto Nas tuas mãos
Creio que se apaixonaram um pelo o outro nessa mesma noite.
...
Incomodava-a o alvoroço que lhe tomava o coração, queria fazer de conta que nada se estava a passar.Eduardo lançava-se no discurso e perdia-se a meio de uma frase. Não tinha medo de se perder; sabia que é esse o preço da inquietação.
...
Camila deixara de procurar a salvação. Estava apaixonada, a salvo da desilusão do mundo. ... "
-excerto Nas tuas mãos
Subscrever:
Mensagens (Atom)







